
Esse ano, até agora, só consegui ler um livro inteiro. Sem contar os trinta livros que devo ter lido pro trabalho, já que meu trabalho é ler livros. Mas são leituras diferentes. Dá pra revisar um texto sem ler ele. E não dá pra ler um texto revisando ele. Deve ter quem faça autópsia e trepe ao mesmo tempo, mas não é minha praia.
Pra tentar trepar até o final, tirei esse Vida desinteressante da prateleira. A comediante Michelle Buteau tem uma piada de que, depois dos 40, a gente começa a calcular como vai cair. Eu comecei a fazer isso depois que levei dois tombos na quarentena, apenas por estar de pé, e levei dois anos pra me recuperar. Ando muito devagar agora, e é com o mesmo cuidado que me aproximo das coisas tristes. Não quero cair não.
Já o Cruz e Souza é uma leitura que tá levando meses, mas não desisto. Desses poetas que a gente só conhece pra escola e, quando se achega, faz uma nova amizade (nos 30 minutos que consigo ter amigos, enquanto como minha marmita).

