Quantas obras-primas foram feitas em noites de insônia, também quantas porcarias. Quantos divórcios, quantas guerras começaram estouraram assim. Não há grãos de areia na praia tanto quanto punhetas e siriricas tocadas por querer dormir e não conseguir,
e haja chá, leitinho, hidrelétricas pra manter as geladeiras abertas. É diferente de quem dorme no relento com medo da polícia, da matilha, da chuva, e de quem passava as noites na prisão de Salazar, com sirene tocando e cacetetes baldes d’água contra descanso. Você tem o conforto possível, o estritamente necessário, até mesmo o impensável – e não adianta. Nessas pensa e se eu separasse o céu e as águas, acendesse a luz, molhasse plantas e monstros marinhos? Sete noites insones depois, Ele pelo menos dormiu.