Tenho sofrido muito em silêncio. Mesmo quando reclamo não é o bastante, o suficiente, não é exatamente a expressão do sofrimento. O médico me pergunta onde dói e só consigo apontar aproximadamente. Sei que é algum lugar do corpo, se eu tivesse tido boas lições de anatomia, talvez nem isso seja: porque mesmo os atlas são só aproximações, referências móveis de limites arbitrários. Talvez nem doa, embora eu ache que sim. Talvez nem seja sofrimento e isso que eu faço não seja silêncio. Talvez em algum lugar oblíquo esteja acontecendo um barulho novo, antitímpano.