Tem uma infestação de escorpiões no bairro, o que tem originado conversas cheias de anedotas assustadoras. Eu sempre tive muito medo de bichos peçonhentos, parece um medo irracional, apesar de ser racional, apesar de não ser essa a questão. Lembrei do Casé Angatu falando que, quando aparece uma cobra na aldeia, o pessoal entende como um aviso, um diálogo, e você não mata o mensageiro. Pega a cobra com cuidado e joga ela longe, mas não mata.
Já eu quero que todos os escorpiões e as baratas morram. Fico triste quando vejo um bicho seco ou tenho que eu mesmo tacar veneno em cima. Mas não sei lidar de outro jeito.
Um amigo teve infestação de escorpião no prédio no centro de São Paulo e disse que não tinha o que fazer, não existe veneno contra escorpião e, se dedetizar, é pior: o inseticida mata as baratas, que são a comida deles, e aí eles vêm com tudo pra cima, com fome e vingança. Não sei se é verdade, mas as anedotas ensinam muita astrologia.
Sei que esse caso, junto com ficar ouvindo muito Bad Gays, me deu vontade de reler o Boêmia dos ratos, da Sarah Schullman.