Eu acho que to usando minha camiseta boa. Meu marido me olha e pergunta se eu vou sair de pijama.
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Não consigo assistir novela no horário da novela, então resolvi acompanhar os cortes e memes.
Minha mãe não entende o que eu acho tão engraçado na Odete Roitman. Eu não entendo por que só eu casco o bico.
Tenho um tanto de nostalgia do tempo que só havia uma tela na nossa frente. O que já era um absurdo, uma violência contra o tempo do corpo, que evoluiu durante centenas de milhares de anos pra ser mais lento que o videoteipe.
Hoje todo mundo tem crise de ansiedade, e dona Odete fala maldades preguiçosas com voz mole de Lexotan e aquele capacete de laquê. Pode não ser a vilã que precisamos, mas com certeza é a vilã que queremos.
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Ritual de dia útil: um pouco antes de começar a chorar ou quebrar as coisas, eu respiro fundo, encho a nonagésima xícara de café e começo a procurar outro emprego. Eventualmente, entre vagas arrombadas, acabo achando que meu trabalho ainda é bom, ainda é o menos ruim, consideradas as alternativas. A vida é muito indigna no sistema capitalista. Então ponho uma playlist de city pop no fone de ouvido e volto a — preencher planilha, revisar texto, apertar porca e parafuso.
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