“O escritor quer ser lido”, repetia Hilda Hilst enquanto driblava todas as possibilidades de isso acontecer. Talvez o escritor não queira ser lido. A pessoa quer ser amada, incensada, aceita pela mãe e por Jesus, que nunca vêm. Quer ter uma vida mais fácil do que a vida tão difícil, uma grana de direitos autorais caía bem, mas o escritor o que quer é escrever, e quem lê esses escritos coloca eles em risco de não valerem nada. O texto vale tudo pra quem escreve. Pra quem lê, pode ser um salvador, mas também pode ser uma pedra no caminho ou , hipótese absurda, motivo de bocejo, riso, indiferença. Um nada. O ser humano, pelado ao relento, quer muita coisa. Mas o escritor só quer ser deixado em paz.
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