Quando a Janis Joplin grita
eu quero viver assim
num verso preciso da Hilda
(“Que este amor não me cegue nem me siga”)
equilíbrio improvável
de gordura e açúcar no lámen
na linguada do menino
entre o sol e o gramado de um dia
perfeito de outono
com um amor eterno e passageiro do meu lado
aquela cena aérea chapado
do Iguaçu
num filme de namorados
Mas a vida é cheia de excessos
indesejados, peidos
errados num compasso
desencaixado, o amor morre
a Hilda e a Janis já morreram
eu vou morrer também
mas não a tempo
não no momento certo que
é o momento antes
do término do tai chi
que eu assisti esmagado de amor
da dor prévia do adeus
antes do corpo dele me esmagar
e cuspir na minha boca
um soneto improvisado
e eu calçar o tênis e pegar a mochila
e ele me levar pra rodoviária
pra gente nunca mais
se encontrar